15/08/10

COMPARAÇÃO ENTRE O PENSAMENTO DE AGOSTINHO E TOMÁS DE AQUNO COM RELAÇÃO AO CORPO E A ALMA

Por se tratar de dois filósofos Cristãos, Santo Agostinho e Tomás de Aquino, em ambos têm a afirmação de que o homem é um composto de alma e corpo. Porém há diferenças na forma de cada uma destas substâncias, alma e corpo, se relacionar no homem, e também na função que cada uma exerce no ser.
Na própria fundamentação da união da alma com o corpo, Agostinho e Tomás se divergem. Para Agostinho o fundamento é metafísico e está na função mediadora da alma entre as ideias divinas e o corpo. O corpo devido a sua extensão espacial é incapaz de participar direto nas ideias. Ao contrário a alma por sua natureza espiritual, abre as portas para as ideias divinas.  Mas o fato é que o corpo graças à alma participa da sabedoria suprema e da verdade imutável, “ideias divinas”. Por ser mediadora cabe a alma dominar o corpo submetendo-o a si mesma, a Deus.
Já para Tomás não podemos fazer a divisão que a alma por natureza tende a Deus e o corpo tende às leis e os números que está sujeito, “mundo sensível”. Vejamos que em Tomás a alma se une ao corpo por que sem ele, ela seria incompleta. Esta união é vista de forma substancial e não acidental. Resultando da união substancial não é possível separar os atos da alma dos atos do corpo. Os atos são do homem, ou seja de todo o composto. Homem = composto que é diferente de homem = corpo e alma.
Outra divergência é com relação ao movimento. Para Agostinho a alma é que dá movimento ao corpo. A alma é princípio vivificador do homem. Alma é completa e ainda assim se une a um corpo para dá-lo vida e formar uma substância. De acordo com Tomás a alma sendo forma substancial tem o poder de ultrapassar os graus do ser vegetativo, sensitivo e dá a ao corpo a razão. E a alma por ser incompleta, também precisa do corpo para exercer suas atividades por meio dos órgãos.
Uma semelhança entre o pensamento agostiniano e o tomista é que em ambos a alma é superior ao corpo, porém há uma diferença de proporções. Como vimos para Agostinho a alma como mediadora é superior ao corpo e cabe a ele dominá-lo. Esta dominação em sete graus. Desde a função anímica até a contemplação. Tomás também diz que a alma é superior ao corpo “matéria”. Pois as formas são medidas de acordo com a participação do ser. E a alma racional transcende a matéria por não estar presa a ela. A alma racional é superior a sensitiva e vegetativa.
Em ambos a união entre corpo e alma é eterna, pois a salvação é regatar toda a saúde humana, portanto corpo e alma. Se a alma é semelhança de Deus pela forma, ela tende a voltar a ele na visão agostiniana e tomista.
Contudo a problemática do regresso da alma e a volta da alma para Deus foi um grande problema filosófico e até em nossos dias não deixou de ser causa de reflexão. Agostinho e Tomás deram respostas brilhantes e racionais. Com relação ao pensamento Agostiniano podemos perceber que ele não deu uma resposta satisfatória com relação à união do corpo com a alma. Pois se alma é completa, por que então veio cair em um corpo? O fundamento metafísico de mediação não responde a este questionamento.
Tomás diz que a ama é incompleta e precisa do corpo. Daí o fundamento para tal união, mas a alma é criada com o corpo? Ou existe alma penando a procura de um corpo para ficar completa? O problema da origem da alma continua a nos desafiar. Deus criou ou continua a obra da criação? Em fim, vimos que as teorias de Agostinho, fundamentada em Platão e Tomás em Aristóteles não só em relação ao homem, foi de grande importância para a filosofia e para o pensamento cristão.

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